quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Ela me olhou e não resisti.

Hoje tirei meu tempo para observá-la, não quis pensar em nada a não ser nela, em desvendar todos os mistérios daquele olhar calmo, descobrir o motivo por trás de tanta alegria, precisava entender o que me cativou nela.
E observei cada detalhe, até mesmo quando ela reclamou do meu silêncio enquanto a encarava. E pensava comigo "Ela rirá alto de tal piada, irá brincar com a embalagem da garrafa, agora procurará por meu olhar e quando achá-lo, vai sorrir abertamente", sim, eu estava acostumado com suas reações, e percebi estar encantado pelas mesmas. Adorava quando abria bem os olhos para prestar atenção em algo, e como quando se incomodava com algum comentário sempre voltando o olhar para o chão. Bebia sempre a mesma vodka, e toda vez que se deparava com um alguém novo, oferecia em busca de algo em comum para que a intimidade se tornasse mais fácil. E reclamava, muito! Odiava quando a abandonava com pessoas rasas, não gostava de permanecer em um assunto por uma tarde toda e fazia o possível para escapar do ultrajante. E no meio de todas, era a das roupas largas, da cerveja direto da garrafa e da postura mais relaxada, porque não fingia ser extremamente comportada, era transparente. Os cabelos bagunçavam com facilidade, até mesmo quando tomava um tempo maior para arrumá-los, e não se importava em mantê-los alinhados ou corretos o suficiente para fugir dos olhares indelicados, eles eram assim e ela deixava. Cantava empolgada as raras músicas que conhecia por inteiro, fazia "air guitar" e se divertia torcendo para que o volume fosse aumentado por alguém. Quando sozinha, observava cada pessoa, sorrindo à distância para os acontecimentos aleatórios e vez ou outra, a flagrava olhando o que ela chamava de "meus cantos invisíveis do corpo", gostava de cicatrizes e nunca soube o porquê, mas em todo abraço, se aproveitava delas com toques suaves e discretos.
E em meio a tantos detalhes que adorava nela, esqueci do mais importante, daquela olhar distante que me pegava desprevenido. Afinal, eu poderia citar mil e um motivos e mil e uma manias, mas precisava apenas de uma para entender o porque havia me apaixonado tanto pela moça mais moleca que já havia visto, aquele olhar que me mirou e me acertou em cheio quando nos vimos pela primeira vez. Simplesmente o fato de ser ela bastava para um desentendido, que já havia entendido muito sobre meninas e que se via tentando entender aquela mulher.
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