quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Tropece... nele.

Não leve como uma bronca e sim como um aviso... Pare de buscar o cara certo!
Dizem que a história se repete, mas na verdade o discurso se repete. Afinal, ele já saiu com muitas, já bebeu mais que uma república inteira, já se drogou mais do que se pode imaginar, já teve casos com todas as conhecidas, já viajou sem rumo, já esteve em muitos corações e também machucou vários. Ele é errado, demais. Não presta. Não merece mocinha de família bem instruída. Aliás, ele já viveu e você se manteve com os estereótipos de extrema passividade que se submetiam a tudo por você.
Eis que você se vê insegura quanto a ele, exatamente por saber que uma noite de bebedeira ao seu lado faria com que fossem esquecidas toda a pressão, todo o receio e toda boa conduta imposta, por ora.
Sabe que ele já errou muito e já foi o erro de tantas. Então se permita ser o acerto dele, e como vive acertando, se permita tê-lo como seu maior e melhor erro. Se perca em suas suas tatuagens, que aliás, não definem seu caráter, sequer a quantidade de cigarros que sempre o acompanham, ou a quantidade de brigas em que vive se metendo por defender demais certos princípios.
E consideremos que mocinhos de filme sempre decepcionam, clichês demais, e o clichê cansa. Irrita. 
As visitas à família, as flores, as frases ensaiadas e o figurino montado por revistas de clínica. Porque o bom é se imaginar na garupa de sua moto para que possa entrelaçar seus braços alcançando seu abdômen, assim como se ver dentro de sua jaqueta de couro, para que pudesse sentir o mundo sumir ao redor. Porque quando o inverno chegar, é ao lado de nossas fissuras que nos confortamos, ao lado de noites de insanidade e falta de noção, é ao lado da pessoa que fez com que todas suas ideias ilusórias de relacionamento fossem esquecidas, é ao lado daquele conjunto de cabelos bagunçados, jeans surrados, botas pesadas e um par de olhos alucinantes, os quais te observam com orgulho e um sorriso lateral que rouba a atenção de quem quer que o mire.E o aviso final? Quebre as pequenas regras, "abstine-se" do cotidiano, da gramática rebuscada, dos poetas de uma noite, das champanhes caras, das mãos juntas, dos jantares à luz de velas e da postura adequada. E pare de correr atrás de mocinhos sem graça, porque a graça na vida está nos mais elaborados tropeços.
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