quinta-feira, 24 de março de 2016

Uma carta à história




Bom dia, meu amor.




Pode ficar deitado, levo o café já que levantei mais rápido dessa vez. Você fica lindo descabelado, com essa cara amassada enquanto encara um dos meus quadros do Kandinsky, aquele que sempre pergunta o motivo de eu gostar tanto. Posso colocar Beatles durante o processo de levantar-logo-ou-não? Vai rir com meu pedido, mas tem um pouquinho da história de tudo em meu quarto, em minha mente, em minhas manhãs, em minha vida, e devo dizer: Como faz parte dela agora, quero história em nós também.  Ou melhor, quero nós na história como um casal bom ou um casal fantástico. Posso ser uma personagem inocente fruto de um amor casual como Amélie, ou posso ser sua Amy, superando milhões de problemas e eternizando-o com certo desprezos em minha personalidade conturbada. Não?! Ok, então posso ser seu Efésion e então, meu Alexandre, podemos pular a parte de que você escolhe um outro alguém e ir direto para o amor até depois do fim. Também posso pincelar um pouco de Helena e te fazer causar alguma guerra por mim, porém, em nosso caso a guerra seria porque me esqueci de mandar aquele bom dia animado que insiste em me cobrar. E com essa pincelada, acrescentemos uma dose de algo um pouco mais forte, como Capitu, e que deixemos nosso caso em haver às perspectivas alheias. Ou sua Mata Hari, para que tudo tenha uma certa intensidade proibida.
Enfim, preciso parar de divagar sobre onde entraríamos na história, mas garanto que ficaríamos entre uma introdução parecida com "Eram loucos um pelo outro, e pelo destino que o fez caminhar exatamente para um tropeço certo" e uma conclusão mais ou menos como "E assim continuam, repetindo suas metáforas internas ano após ano, até que finalmente descubram onde se eternizarão".  Porque se tem algo que quero fazer, é contar nossa história para quem quer que se pergunte de onde vem toda essa felicidade. Agora, já pode levantar e me dar aquele abraço que peço nas entrelinhas das nossas manhãs, vem? Prometo parar de parafrasear sobre nós. Dessa vez.
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