quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Para meu novo eu, com amor.

Eu deveria abrir essa suposta carta com uma boa saudação, coloquial, com alguma piada implícita ou alguma música, e assim saberia que estaria pronta para lê-la. Mas já que conheço-a como conheço, você deve estar ouvindo seu cd antigo do Engenheiros, mergulhada em uma fossa só sua enquanto reflete sobre as voltas absurdas que sua vida tem dado. Portanto, facilitarei sua vida e serei mais direta: Você esteve vivendo errado todos esse anos.
Ok, quem sou eu para te dizer isso? Simples, eu sou você, com uma mente mais aberta, com a percepção necessária de sua vida, com um quarto mais arejado e sem a fossa poética-mas-nem-tanto.
Você está vivendo como jamais se viu, seus fins de semana parecem extensões das loucuras semanais e quem costumava estar ao seu lado o tempo todo já não está mais. Você aprendeu a amar, aliás, se permitiu aprender a amar. Você ri com mais facilidade e assumiu todas as teorias da relatividade da paixão, isto é, todas que contornam o fato de que estar apaixonado te faz um alguém melhor, exatamente pelo excesso de dopamina recebido (aquele que costumava receber quando gargalhava sozinha no pomar de seu antigo sítio familiar). Você se tornou um ser racional, de fato, porque junto com as responsabilidades aparecem os medos, a ansiedade, as vontades de cometer idiotices, e você, crescida, aprendeu que se deve pensar quando o desespero bate, aliás, espanca. Você se viu sozinha, porque alguém te mostrou que é melhor assim, e se Renato estava correto, devemos confiar apenas em nós mesmos. E finalmente, você aprendeu que se a vida precisar levá-la para um canto, será aquele escuro no finzinho da casa, aquele pouco utilizado e com muitas novas histórias.
Agora sai dessa fossa, e assuma de uma vez que viveu errado, e finalmente, encontrou seu rumo. E que independente de onde seja, estará em casa.
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