segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Nem todo sempre precisa ser sobre sempre


(Sim, é a história de mais um casal onde todos deveriam se inspirar. Já que todos puzzles deveriam possuir peças erradas.) -Indico a faixa número 6 - I'm yours de Jason Mraz.


E se eu pudesse descrevê-la em uma sentença, ela começaria com "Às vezes", e em seguida colocaria alguma foto da coleção que possuo dela em seus momentos mais aleatórios, porque às vezes ela era meu sempre.

às vezes ela me deixava eternizar seus sorrisos mais lindos...

Ela apareceu para mim como o Sol aparece em dias chuvosos, vagaroso e tímido, e quando aparece, muda cada parte de cada canto e foi exatamente esse efeito que ela causou em mim, dessa maneira. Assim como o Sol, loura, radiante, chamativa, apesar de ser aquele dia ensolarado com ventania inexplicável, já que era totalmente oposta à mim, louca de tudo, aproveitava sua pouca idade ao pé da letra, dançava sozinha, dançava acompanhada, se fazia música, se fazia festa, ria alto, não negava um papo bobo ao lado de uma cerveja barata, teimosa, briguenta quando se tratava de causas justas. Era como uma versão desses puzzles, e para completar minha peça, fizeram uma colorida com partes atenuadas demais para minhas partes mal acabadas.
Ela era aprendizado e era ensinamento. Me ensinou a dançar valsa, aprendeu pagode, me ensinou a amar, aprendeu a ser amante, me ensinou a remendar a boa conduta, rasgou meu bom senso, me ensinou a aprender, aprendeu me ensinando. Ela era dona de nosso sempre, que às vezes durava apenas uma noite, e ainda sim, me fazia acreditar que o "para sempre" sempre vale a pena, por menor que fosse.
Às vezes cedia e deixava de ser a moça durona que todos conheciam, às vezes era frágil, me deixava fazê-la se sentir segura apesar de toda blindagem. Às vezes se permitia relevar, e me deixava ser o homem da casa. Às vezes se relacionava e assumia, finalmente deixava de ser a moça que o vento carregava para todos os lados. Às vezes deixava de se cuidar e se tornava cuidado. Às vezes largava seu vinil da Joplin e me deixava colocar o pen drive com todos os sambas possíveis. Às vezes abandonava seus receios e amava sem barreiras ou paradas. Às vezes me deixava abraçá-la para que a dor passasse quando a música dele tocava. Às vezes a queria por um dia ou uma semana, e, às vezes a queria para sempre.
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